9 de outubro de 2019

No Brasil, 100% da produção de papel tem origem em árvores plantadas para esse fim, não havendo qualquer correlação entre a fabricação do papel e desmatamento. Apesar disso, governos estaduais, como o de Santa Catarina, que implantaram o programa Governo sem Papel, têm vinculado, de forma equivocada, a economia de papel à preservação de árvores, segundo alerta Two Sides, organização sem fins lucrativos que atua globalmente para esclarecer e combater afirmações infundadas sobre o impacto do papel ao meio ambiente.

“Há um mito de que usar papel leva ao corte de árvores nativas, o que não é verdade. Muitas empresas e governos têm se aproveitado desse argumento para justificar a extinção do uso de papel e a adoção exclusiva do documento digital, mas este tipo de afirmação é infundada”, afirma o presidente de Two Sides, Fabio Arruda Mortara.

Foi o que ocorreu com o governo do estado de Santa Catarina, que, ao fazer o balanço dos cinco primeiros meses do programa Governo sem Papel, informou que 276 árvores haviam sido preservadas. “Como nenhuma árvore nativa é cortada para produção de papel no Brasil, já que o papel é proveniente de florestas plantadas para esta finalidade, este tipo de comparação não é só improcedente como impacta toda a cadeia de produção do papel”, ressalta Mortara.

Segundo dados da Ibá — Indústria Brasileira de Árvores, o Brasil possui 2,65 milhões de hectares de florestas plantadas destinadas à produção de celulose e papel. Nesse plantio observam-se o manejo sustentável, a preservação de recursos naturais e as boas práticas socioambientais. As plantações de árvores para diversos usos industriais crescem, no Brasil, em uma área equivalente a 500 campos de futebol por dia.

Ele acrescenta que a propagação deste tipo de informação falsa pode causar prejuízos irreparáveis para a indústria de celulose e papel brasileira, uma das mais fortes do mundo, como demonstram a sua capacidade produtiva e importância para a economia do País. Em 2018, por exemplo, a receita bruta do setor foi de R$ 73,8 bilhões, o equivalente a 1,1% do PIB nacional e 6,1% do PIB Industrial. O saldo da balança comercial com a exportação de celulose e papel foi positivo em US$ 9 bilhões. Além disso, o setor arrecadou R$ 11,5 bilhões em tributos (0,9% da arrecadação nacional) e gerou 508 mil empregos diretos.

Outro ponto é que este impulso para o digital nem sempre é bem-vindo. Segundo pesquisa de Two Sides, 53% dos entrevistados acreditam que as alegações de que o documento digital, comparado ao impresso, é melhor para o meio ambiente são feitas por conta do desejo do remetente de economizar dinheiro.

Pesquisa de Two Sides também mostra que 57% dos entrevistados não gostam que tentem convencê-los a não pedir informes impressos, já que normalmente imprimem os documentos em casa para terem uma cópia física. Já 81% acreditam que têm o direito de escolher como receber suas comunicações (impressas ou eletrônicas) de organizações financeiras e prestadores de serviços, sendo que 38% dos consumidores considerariam trocar de prestadores de serviços se fossem obrigados a aderir exclusivamente ao digital.

Fonte: GP Comunicação