1 de novembro de 2019

O mercado de papelão reciclado está em alta. Segundo a Associação Nacional dos Aparistas de Papel (ANAP), em 2018 foram coletadas 5,09 milhões de toneladas de aparas de papelão, volume 2,4% maior do que o registrado no ano anterior, e também recorde histórico. Esses dados revelam uma tendência no setor, reflexo de uma sociedade cada vez mais engajada em proteger a natureza.

Em Aquiraz, cidade do Ceará, um dos estados que mais produz caixa, papel e papelão no País, está um bom exemplo desta tendência. A Santelisa, empresa do Grupo Telles, mantém uma produção totalmente sustentável, que leva em conta a valorização do ser humano e o respeito ao meio ambiente. As embalagens que saem da Santelisa são 100% feitas a partir de aparas de papelão usado.

Em linhas gerais, o processo de reciclagem dessas aparas acontece em três etapas. Primeiro, o papelão é separado e passa por trituração e centrifugação para eliminar impurezas; na etapa seguinte, produtos específicos são adicionados para retirar a tinta e clarear o papelão; e, por fim, a pasta formada é prensada e seca, sendo levada em seguida para equipamentos onde o papelão é moldado.

“Temos um compromisso socioambiental”, diz Aline Chaves, vice-presidente de Operações do Grupo Telles. “Nosso alto desenvolvimento em tecnologia tem o objetivo de não somente atender aos nossos clientes, mas, sobretudo, de oferecer um produto ecologicamente sustentável”. Nos últimos anos, a empresa investiu R$ 50 milhões em inovação e modernização das máquinas. No primeiro semestre de 2019, a Santelisa registrou um aumento de 20% de seu faturamento.

A questão ambiental é uma preocupação genuína na empresa. Desde a sua inauguração em 1992, a fábrica, que surgiu a partir da escassez de embalagens na região, já produzia papelão a partir do bagaço de cana-de-açúcar. Hoje, abastece 800 clientes nas regiões Norte e Nordeste e tem capacidade para produzir 100 toneladas/dia de bobinas. Tudo isso em um ambiente autossustentável onde o consumo de energia vem das placas fotovoltaicas instaladas na unidade.

Alcance social

Neste cenário de economia circular, emerge um dos principais personagens dessa cadeia produtiva: os catadores. A atuação deles, segundo a ANAP, correspondeu a 35% do material coletado pelos aparistas em 2018.

“Esse profissional é de suma importância. Ao retirar o material que iria para lixões e esgotos, ele gera recursos financeiros e movimenta a economia”, comenta Raimundo Viana, ex-secretário da Indústria e Comércio do Estado do Ceará, ex-secretário do Desenvolvimento Econômico do Estado do Ceará e atual conselheiro do Grupo Telles. “Um dos desafios para os catadores é localizar a quem vender. E essa articulação a Santelisa tem muito bem estruturada. Com preços justos, a empresa consegue a fidelização de seus fornecedores, o que é muito bom para todos”.

Com essas credenciais, a empresa se tornou a primeira fábrica de papelão do Ceará a obter o Selo Verde, certificação socioambiental emitida pelo Instituto Chico Mendes. Os critérios analisados envolvem a política de sustentabilidade implantada, além da gestão ambiental e social.

 

Fonte: Ketchum