2 de outubro de 2019

Com intuito de fomentar o debate sobre o desenvolvimento de embalagens amigas do meio ambiente, a troca de informações das boas práticas entre as indústrias, o Instituto de Embalagens realizou ontem a segunda edição do “Fórum Embalagem & Sustentabilidade”, no Espaço Nobre da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, que reuniu mais de 200 profissionais do setor.

Ornella Vilardo, gerente de sustentabilidade do Grupo Heineken no Brasil, destacou o programa Drop the C criado pela companhia para reduzir a emissão de carbono em toda a sua cadeia produtiva. Isso inclui as embalagens que representam uma parte significativa da pegada de carbono da Heineken. Por isso, a empresa lançou um novo olhar para os R´s da sustentabilidade para desenvolver suas embalagens. O foco é priorizar o desenvolvimento de embalagens de fontes renováveis, embalagens retornáveis, embalagens com conteúdo reciclado, embalagens com redução de material.

Lucia Moreira, coordenadora de sustentabilidade da Owens Illinois (O-I), apresentou cases regionais de logística reversa de vidro. Em Brasília, a companhia em parceria com a Green Ambiental, implantou 14 coletores seletivos abertos ao público. Os equipamentos foram projetados especialmente para o vidro, material 100% natural e reciclável, mas que não era recolhido pela coleta seletiva da região, e com isso as embalagens acabavam em aterros junto ao lixo orgânico.

 

Heitor Cauneto, head em excelência de manufatura para América do Sul da Bunge, falou sobre a nova tecnologia de sopro para produção da garrafa de óleo mais leve do mercado, com apenas 14 gramas, que deve chegar às prateleiras até o final de 2019. A tampa também foi reduzida na altura em uma grama.

 

Apesar da alta reciclabilidade e do alto valor econômico da lata de alumínio, Estevão Braga, diretor de sustentabilidade da Beverage Packing South America, afirma que ainda há desafios para o setor, como por exemplo, o hábito do consumidor de não separar os resíduos e a sua falta de conhecimento.

 

Já Júlio Nogueira, gerente corporativo de sustentabilidade e meio ambiente da Klabin, apresentou as diversas iniciativas da companhia na área de sustentabilidade, nos pilares social e ambiental, bem como os principais indicadores de desempenho da empresa.  “A unidade Puma, de Ortigueira (PR), conquistou recentemente a certificação ISO 50001 que atesta as boas práticas de eficiência energética”, exemplifica.

 

Lúcio Vicente, diretor corporativo de negócios e sustentabilidade do Carrefour Brasil, revelou  que a empresa está descontinuando o uso de bandejas de poliestireno em todos os produtos de marca própria. A estimativa é que o grupo de varejo deixe de usar 51 milhões de bandejas de poliestireno.  

 

Tamires Silvestre, gerente de sustentabilidade para o negócio de embalagens e plásticos de especialidades da Dow, destacou que a economia circular abre muitas oportunidades que têm impacto social, melhorando a qualidade de vida das pessoas. “Temos um projeto na Colômbia com uma startup colombiana  que utiliza material plástico de difícil reciclagem para construir salas de aulas verdes”, salienta.

 

Felipe Simone, focal point para embalagens flexíveis da Mondelez, revelou que a meta da empresa é tornar as embalagens dos seus produtos 100% recicláveis até 2025. No caso das embalagens de papel o nosso compromisso é produzi-las de forma sustentável até 2020.

 

José Bosco Silveira Júnior, presidente da Terphane, apresentou a nova linha de filmes flexíveis Ecophane produzida com 30% de PET reciclado pós-consumo. “Uma tonelada de filme Ecophane é o equivalente a 13 mil garrafas PET de 1 litro recicladas”, enfatiza.

 

Roger Koeppl, diretor-presidente da YouGreen Cooperativa, acredita que o modelo de gestão das cooperativas de reciclagem tem que deixar de ser assistencialista. “É preciso profissionalizar a gestão para aumentar a produtividade, eficiência e ganhos dos catadores. Enquanto o ganho médio do catador no Brasil é de R$ 571,00, na YouGreen ele ganha R$ 1800,00”.

 

Theresa Moraes, diretora comercial do Grupo Indorama, falou sobre a reciclagem química do PET. O primeiro teste foi feito com o uso de 5% de flake para avaliação de estabilidade e viscosidade. O objetivo da empresa é chegar a 25% de PET PCR.

 

Marcelo Ebert, co-fundador da YVY, criou uma marca inovadora na categoria de home care que traz um novo conceito de experiência de consumo através do produto, da embalagem e de compra. A marca adotou embalagem spray reutilizável e cápsulas de produtos concentrados. “O consumidor pode devolver as cápsulas para a empresa na mesma caixa que recebeu os produtos”.