5 de novembro de 2021

Líderes da indústria de produtos de consumo e do setor de embalagens apresentam soluções inovadoras para acelerar a transição para uma economia regenerativa
A economia circular está transformando o modelo de negócios da cadeia produtiva de embalagens. O setor está repensando como produz, recicla e reutiliza as embalagens para preservar os recursos naturais e construir um futuro sustentável. O Fórum Embalagem & Sustentabilidade realizado nos dias 27 e 28 de outubro, no formato online e ao vivo, apresentou várias iniciativas que promovem a economia circular das embalagens.
Assunta Napolitano Camilo, diretora do Instituto de Embalagens, deu as boas vindas aos participantes propondo uma importante reflexão sobre consumo e sustentabilidade. “O que eu vi nos pontos de venda da Alemanha e da Finlândia, neste meu retorno às visitas internacionais, em outubro, foram soluções greenwashing como um talher plant based vendido nas gôndolas da Finlândia, mas produzido na China ou um canudo feito com haste do trigo. Mas também há práticas na direção certa, como xampu com frasco 100% de material reciclado, batom com embalagem de papelcartão e pepino embalado individualmente com filme shrink que protege o produto por três semanas”.
Até 2025, a Suzano quer oferecer mais de 10 milhões de toneladas de produtos de origem renovável substituindo insumo de origem fóssil onde podem ser substituídos. Resultado deste compromisso da companhia é o papel Greenpack com barreira para substituição de embalagens plásticas flexíveis. “A gente já desenvolveu papel com barreira termosselável à gordura que, já tem aplicação comercial”, afirma Guilherme Melhado, diretor comercial da Suzano.
Em breve, segundo ele, a Suzano vai lançar papel com barreira WVTR (barreira à passagem de vapor de água), além da barreira OTR (barreira à migração de oxigênio) que ainda está em fase piloto, com testes em laboratório. “Os testes estão sendo feitos para embalagem flow-pack e stantd-up pouch em aplicações muito semelhantes ao que o plástico tem hoje e que podem ser substituídos pelo papel”.
Para colaborar com a economia circular, a Ball traçou metas ambientais até 2030, entre elas destacam-se o alinhamento da indústria para alcançar um índice de reciclagem global de 90% de latas para bebidas, garrafas de copos de alumínio e uma média de conteúdo reciclado por embalagem de 85% nas regiões onde a companhia opera. “Além de ter 80% da produção global de latas para bebidas com designs STARCan com peso otimizado e 50% da produção global de latas para aerossol com liga de peso reduzido ReAl® e 100% do alumínio comprado a partir de fontes sustentáveis certificadas”, afirma Estevão Braga, head de sustentabilidade da Ball Corporation para América do Sul.
Economia circular na indústria de produtos de consumo
Com negócio inspirado na natureza principalmente na forma cíclica como ela funciona, a Positiv.a, uma empresa B que produz produtos para casa e para o corpo que são biodegradáveis, veganos e hipolaergênicos, tem um grande sonho de levar soluções ao mercado que promovam o consumo mais consciente e mais cíclico. “A embalagem é primordial para endereçar o consumo mais consciente aos nossos clientes. Ela é a solução para muitos problemas ambientais que a gente enfrenta hoje, afirma Leandro Menezes, co-CEO da Positiv.a. “Na nossa linha de autocuidado e higiene pessoal temos utilizado bastante embalagem de papel. Destaco o nosso carro-chefe desta linha que é o primeiro desodorante sólido em embalagem compostável do Brasil. A gente adaptou a formulação do cosmético para encaixar numa embalagem que após o consumo pode ser compostada por ela ser feita 100% de papel”, afirma.
Os produtos que você consome estão comprometidos com a transformação do planeta? Em parceria com a Origens Brasil, uma rede que promove negócios sustentáveis na Amazônia em áreas prioritárias de conservação, a Wickbold, fabricante de pães especiais e saudáveis, utiliza a potência da marca que entra em mais de um milhão de lares todos os dias para promover o consumo consciente. Por trás dos seus pães existe uma cadeia de valor compartilhado que incentiva o empreendedorismo em regiões vulneráveis através da compra de castanha de caju de extrativistas, quilombolas e povos indígenas de Xingu, Calha Norte e Rio Negro. “É uma cadeia do bem e queremos convidar os consumidores a fazer parte dela”, afirma Pedro Wickbold, diretor geral da Wickbold. A embalagem tem um papel fundamental para promover esse propósito, pois traz um QR Code que permite aos consumidores conhecer o processo de produção e quem são os extrativistas.
O Fundo JBS pela Amazônia fomenta e financia projetos que promovem a conservação e o uso sustentável da floresta amazônica e a melhoria de qualidade de vida da população. “A grande oportunidade é utilizar a ciência, a tecnologia e o desenvolvimento para desenvolver embalagens circulares com resíduos encontrados na floresta e contribuindo para que ela permaneça em pé”, afirma Joanita Karoleski, presidente do Fundo JBS pela Amazônia.
Entender a pegada de carbono dos produtos é essencial para empresas que querem dar um passo na direção de uma economia de baixo carbono, diminuindo seus impactos na mudança do clima e contribuindo para um futuro socioambiental de mais responsabilidade. É isso que a mineira NUU Alimentos está fazendo para ser parte da solução dos problemas ambientais.
Em 2021, a NUU Alimentos estima emitir 585 toneladas de carbono, o que equivale a 193 hectares de árvores plantadas. Esse cálculo inclui as pegadas de carbono da produção dos insumos usados nos alimentos, transporte, embalagens, ponto de venda e o descarte final pelo consumidor. A pegada de carbono dos seus produtos é estampada na embalagem. Segundo Raphaela Gontijo, CEO da NUU Alimentos, a embalagem responde por 2% das emissões de carbono. “Entendemos que o plástico não é o principal emissor de carbono, mas o fim que se dá ao material. Por isso, fazemos a compensação de 100% das embalagens através do selo eureciclo”. A empresa iniciou um trabalho de pesquisa para substituir o material. Mas o desafio, segundo ela, é encontrar alternativas viáveis para fazer a migração e não encarecer o produto.
O que é ser uma empresa sustentável? “Deixar um mundo melhor do que aquele quando a gente chegou”, essa é uma afirmação de Waldyr Beira, fundador da Ypê, que permeia até hoje. “A Ypê está em 94% dos lares brasileiros e isso aumenta muito o nosso compromisso de estabelecer propostas de gerenciamento dos resíduos sólidos gerados e também na fabricação dos produtos”, destaca Roberta Kuruzu, head de relações institucionais, governamentais e sustentabilidade da Ypê. Desde 2006, a empresa utiliza resina PET reciclada. “Hoje, as nossas embalagens contêm 50% de resina PET reciclada”.
A JBS Ambiental recicla os resíduos das plantas produtivas da JBS em produtos de valor agregado, promovendo a economia circular em um modelo de ciclo fechado. “Com os resíduos de embalagens plásticas, por exemplo, garantimos a sua reciclagem e utilização dentro das próprias operações da JBS no Brasil. No ciclo fechado do plástico, os resíduos são transformados em produtos reciclados como sacos de lixo; lonas plásticas; capas plásticas; filmes shrink, filmes stretch, e o piso verde”, revela Susana Carvalho, diretora-executiva da JBS Ambiental. Em 2020, a empresa produziu 2476 toneladas de produtos plásticos reciclados.
As embalagens circulares são um dos pilares da agenda de sustentabilidade da Ambev que estabelece que 100% dos seus produtos serão vendidos em embalagens retornáveis ou majoritariamente de conteúdo reciclado. “Em 2020, a empresa alcançou 48% das embalagens de vidro de conteúdo reciclado, 45% de embalagens PET de conteúdo reciclado e 75% de latas de alumínio com conteúdo reciclado”, informa Vitor Miranda, diretor de embalagem da Ambev. Além disso, segundo o executivo, o objetivo da companhia é zerar a poluição plástica das embalagens. “A gente não quer eliminar o plástico. A gente quer garantir que o material seja destinado corretamente para reciclagem. Nós vamos fazer isso a partir da substituição ou eliminação de embalagem, introdução e utilização de embalagens retornáveis e recicladas, com foco em inovação e parceria”.
Manter os recursos em uso pelo maior tempo possível é um dos principais objetivos da economia circular. A Cia Müller de Bebidas já pratica esse conceito desde a década de 80 quando adotou a logística reversa de garrafas de vidro da cachaça 51. “Em 2020, 79,8% das garrafas de 975 ml retornaram ao ciclo de produção. O ponto crítico do processo é a disponibilidade de embalagens por catadores”, afirma Simone Sayuri Nakazone, gerente de qualidade, meio ambiente, P&D e assuntos regulatórios da Cia Müller de Bebidas. A empresa acaba de lançar um programa piloto de garrafas retornáveis com cooperativas de reciclagem em parceria com a startup Circulagem com o objetivo de fomentar a retornabilidade do vasilhame 51.
O programa nacional de logística reversa de cápsulas de café do Grupo 3 Corações começou em 2017, com 55 pontos de entrega voluntária (PEVs). Em 2021, já são 409, mas os desafios são muitos para expandir. Segundo Larissa Mesquita, coordenadora da área de desenvolvimento sustentável do Grupo 3 Corações, o principal desafio é otimizar a logística reversa, com uma estratégia de baixo impacto através de parceiros, cooperativas de reciclagem e empresas que já tenham uma malha logística disponível para conseguir chegar em todas as regiões do Brasil. “Este ano, estamos expandindo o programa para Goiânia (GO) e Florianópolis (SC). Temos também o desafio de conscientizar os consumidores para que retornem as cápsulas de PP para os nossos PEVs”, enfatiza.
Inovação com foco na reciclagem
A CBA – Companhia Brasileira de Alumínio tem metas ambiciosas para aumentar a reciclagem do alumínio e fortalecer a cadeia de cooperativas no Brasil. Apesar do alto índice de reciclagem da lata de alumínio de 97,4%, a empresa enxerga oportunidade para ampliar a reciclagem do material principalmente em dois tipos de embalagens multicamadas: cartonadas e flexíveis. O processo Real de reciclagem de embalagens multicamadas pós-consumo vem sendo desenvolvida pela companhia nos últimos dois anos. Segundo Fernando Wongtschowski, gerente de estratégia comercial e marketing da CBA, é uma tecnologia inovadora, econômica e viável para separação do alumínio do polímero. “Testes com diversas estruturas foram feitos, mas o foco são as embalagens cartonadas e algumas embalagens flexíveis. A expectativa é que em janeiro de 2023, a planta estará operando comercialmente”.
Baseado na tecnologia digital blockchain, o recichain formado pelo consórcio de empresas globais Henkel, Basf e Natura tem o objetivo de acelerar a economia circular de resíduos recicláveis, aumentar a inclusão social, com oportunidades de trabalho e melhorar as cooperativas de reciclagem, além de introduzir um padrão de créditos de reciclagem em conformidade com a lei. Os grupos- alvos do consórcio são os catadores de lixo, empresas de reciclagem, membros de outros tipos de programa de reciclagem. “Indiretamente, a gente vai fomentar os produtores de embalagens e indústrias de produtos de consumo. Com reciclagem bem feita e bem conduzida, o material reciclado passa a ter valor. Quando passa a ter valor, tem valor para o catador e para o fabricante de embalagem. Tudo isso está em fase piloto e deve ser 100% implementado em janeiro de 2022”, diz Sergio Crude, head de saúde, segurança, meio ambiente e sustentabilidade para a América Latina da Henkel.
Terceira maior empresa de embalagens de papel do Brasil, a Irani Embalagens adotou a estratégia ESG para desenvolver produtos circulares. “A reciclagem é uma questão fundamental que já está presente no nosso negócio. 70% dos nossos papéis têm origem reciclável e a tendência é avançar nisso”, diz Sérgio Ribas, CEO da Irani Embalagens. Segundo ele, os próximos investimentos serão dedicados à produção de papéis reciclados com alta tecnologia. “A Europa produz papel reciclado com muito mais qualidade que o Brasil. E a nossa vontade é trazer máquinas com mais tecnologia justamente para ganhar em competitividade no Brasil e endereçar produtos mais adequados, fortalecendo a posição dos reciclados no país”.
Com a meta de reciclar 50 bilhões de garrafas PET por ano em 2025, a Indorama Ventures investe pesado em inovação tecnológica. A empresa desenvolveu uma nova resina PET reciclada para embalagens de alimentos. “A Indorama é a primeira a utilizar a tecnologia de PET reciclado que tem um desempenho superior de descontaminação, o que garante um visual estético próximo à resina virgem. Além disso, oferece baixo nível de benzeno nos pellets e na embalagem final”, destaca Flávio Assis, gerente de operações para rPET da Indorama Ventures.
Uma das maiores recicladoras de PET do mundo, reciclando mais de 300 milhões de garrafas por mês, a Valgroup foi pioneira no desenvolvimento da primeira garrafa PET 100% reciclada para o guaraná Antarctica. A empresa desenvolveu um processo próprio para a reciclagem segura de PET para bebidas. “A nossa tecnologia é certificada pela Anvisa e pelo FDA. Temos total segurança por toda complexidade do processo que envolve tratamento profundo dos resíduos para utilização em embalagens de bebidas e alimentos”, garante João Alves, gerente de sustentabilidade e inovação da Valgroup.
Os adesivos que dificilmente são mais do que 5% de qualquer embalagem ou produto podem decidir o destino de 95% do material. A Henkel tem avançado no desenvolvimento de adesivos que facilitam a reciclagem de embalagens flexíveis. Segundo Michelle Tenchella, gerente do departamento técnico da Henkel para adesivos industriais na América Latina, a empresa tem um adesivo que facilita a separação de camadas de embalagens flexíveis. Mas, por enquanto, o processo é realizado na Europa. A proposta é trazer para nossa região. “Uma outra alternativa é a desmaterialização onde a gente reduz a quantidade de matéria-prima utilizada na embalagem e também é possível substituir uma camada pelo adesivo”, revela.
A inovação embarcada nas chapas flexográficas da DuPont Cyrel Solutions está ajudando donos de marca, convertedores e clicherias a atingir suas metas de sustentabilidade. Maria Eugência Tibéssio, presidente da DuPont Argentina e líder de vendas para América do Sul do negócio de Electronics & Industrial, destaca o case de sucesso da cervejaria chinesa Tsintao que usou as chapas flexográficas Cyrel ESM para imprimir embalagem reciclada de papelão ondulado. “A tecnologia permitiu reduzir em 10% o consumo de tinta pela migração do papel revestido de 200 g para um não revestido de 140 g com excelente qualidade de impressão”.
O evento foi patrocinado pela Activas, Ball, CBA, DuPont, Evertis, Henkel, Indorama Ventures, Irani, FuturePack , Papirus, Suzano e Valgroup e apoio da Alpek e CNI- Confederação Nacional da Indústria.
Lançamento do livro Embalagens de Vidro
O vidro é o protagonista do décimo livro bilíngue da coleção Better Packaging Better World – Embalagem Melhor Mundo Melhor, o vigésimo primeiro publicado pelo Instituto de Embalagens, que foi lançado no dia 27 de outubro, durante o Fórum de Embalagem & Sustentabilidade Online e ao Vivo. O novo livro também terá uma versão e-book em inglês e português, além de audiobook.
A obra é composta de cinco unidades: Introdução ao Universo das Embalagens de Vidro, Fabricação da Embalagem de Vidro, Embalagens & Acessórios, Processos e Embalagem e Meio Ambiente.
O livro também compilou embalagens de vidro inovadoras garimpadas em gôndolas de todo o mundo e também nas feiras internacionais do setor. É um incentivo para exercitar novos olhares para o uso do vidro. “Um dos diferenciais das embalagens de vidro é a possibilidade de conferir posicionamento premium aos produtos. As técnicas de sofisticação, como o desenvolvimento de moldes especiais e a aplicação de recursos de acabamentos, permitem que essas embalagens revelem aos consumidores as propriedades únicas do produto”, destaca Assunta Napolitano Camilo, diretora do Instituto de Embalagens.
O livro é patrocinado pela Owens-Illinois, FuturePack, Krones, P.E. Labellers, Wheaton, Prakolar Sato, Grif Rótulos, Schott, Silgan e Vidroporto e conta com o apoio da Sleever e da Abividro.
Também tem o apoio de entidades setoriais nacionais e internacionais como a ABIHPEC, Abividro, Conseil d’Emballage (França), AIP (Austrália), FEVE – The European Container Glass Federation, GPI – Glass Packaging Institute, entre outras.
O livro pode ser adquirido na loja virtual do Instituto de Embalagens https://institutodeembalagens.com.br/livros/

Sobre o Instituto de Embalagens
Fundado em 2005, o Instituto de Embalagens tem o objetivo de compartilhar conhecimento para o setor de embalagens, visando o seu avanço e crescimento. O trabalho consiste na coordenação e realização de cursos, encontros, treinamentos e publicações técnicas.
Desde a criação do Kit de Referências de Embalagens, primeiro material didático do Instituto de Embalagens, a entidade já publicou 21 livros e realizou 95 cursos e 132 eventos, com a participação de 13588 profissionais.
A crença do Instituto de Embalagens é que melhores embalagens promovem um mundo melhor.