16 de agosto de 2019

No Grande ABC, o número de catadores de materiais recicláveis aumentou em 20% nos últimos cinco anos e, por mês, as cooperativas de reciclagem da região manipulam, em média, 900 toneladas de resíduos sólidos. Mais para o interior do estado de São Paulo, após ter realizado um projeto piloto socioambiental de reciclagem em um bairro na capital paulista, uma empresa multinacional que fabrica embalagem de alimentos vai expandir sua ação para três municípios (Piedade, Guararema e Salesópolis). A meta, nesses locais, é aumentar em 20% o volume de resíduos recicláveis destinados às cooperativas.

“Em todo o Brasil, as cooperativas são responsáveis por 90% de todos os resíduos sólidos coletados. No entanto, de maneira geral, perto de todo o material que é gerado – 78 milhões de toneladas por ano, isso representa muito pouco. O país ainda caminha a passos lentos na questão da reciclagem de resíduos sólidos”, observa Edivaldo Del Grande, presidente do Sescoop/SP (Serviço de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo). Na capital, por exemplo, das quase 77 mil toneladas de resíduos recolhidas em 2018, apenas 7% foi reciclado. No Brasil, a média de reciclagem é de 13%.

Nas cooperativas, os resíduos sólidos são separados em sacos nas suas diversas categorias (plástico, papel, vidro, alumínio, entre outros), depois passam pela fase de prensagem, onde são compactados para facilitar o transporte, e por fim são vendidos para empresas que fazem o processo de reciclagem, para serem transformados novamente em matéria-prima e dar origem a novos produtos.

Por ano, segundo a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), esse mercado movimenta, em média, R$ 24 bilhões. E cerca de 332 mil empregos diretos são gerados pelo setor de reciclagem, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente. “Além da presença das cooperativas de reciclagem gerar oportunidade de renda para as comunidades, elas também contribuem de forma significativa com a questão ambiental. Especialmente em municípios onde há falta de planejamento adequado para o descarte de resíduos, sem coleta seletiva. É preciso que haja mais incentivo para a formação de novas cooperativas e, sobretudo, apoio para que os empreendimentos sejam sustentáveis também do ponto de vista social e econômico. Esse, aliás, é o maior desafio para as cooperativas desse setor”, frisa o presidente do Sescoop/SP.

Del Grande ressalta também que a profissionalização das cooperativas de reciclagem possibilitaria a agregação de valor ao trabalho. “Muitas vezes, as cooperativas atuam apenas na separação do material, entregando a produção para empresas que conseguem maior rentabilidade com a venda dos recicláveis. O ideal seria criar estruturas de beneficiamento para aumentar a renda dos cooperados”, defende.

O presidente do Sescoop/SP observa que além de ampliar a reciclagem, é necessário reduzir a geração de resíduos, conforme determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/10). “A responsabilidade deve ser compartilhada entre fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, cidadãos, cooperativas e Poder Público. Todos devem fazer sua parte para que possamos enfrentar os desafios ambientais, sociais e econômicos relacionados à gestão dos resíduos sólidos”, conclui Del Grande.

Fonte: Ex-Libris Comunicação Integrada