24 de novembro de 2021

O Brasil conta com uma Política Nacional de Resíduos Sólidos há mais de dez anos e, recentemente, viu sancionado o novo Marco Regulatório do Saneamento Básico, mas registros apontam que a reciclagem ainda é feita em pequena escala no País. Apesar das diversas iniciativas, até mesmo os números que se propõem a retratar essa realidade continuam sendo difusos, não apenas pelas diversas especificidades dessa cadeia, mas, principalmente, devido à falta de um agente independente capaz centralizar a contabilização dos dados resultantes destas operações realizadas em todo o território nacional. É justamente para enfrentar este desafio, e suprir essa lacuna, especialmente no que diz respeito a contabilização dos dados gerados pelos sistemas de logística reversa, que a Central de Custódia passa a desenvolver suas atividades.

A nova empresa apoiará as Entidades Gestoras que atuam na logística reversa de embalagens pós consumo na sistematização, rastreabilidade ponta-a-ponta, consolidação e ampliação de seus sistemas, a partir de uma verificação independente e totalmente informatizada. Com lastro nas operações realizadas por meio de notas fiscais, o intuito é apoiar o desenvolvimento da logística reversa de uma forma segura e com valor agregado para as entidades e seus associados controlarem os dados e procederem à devida comprovação de cumprimento das metas de reciclagem estabelecidas pelos órgãos fiscalizadores, com plena segurança jurídica e rastreabilidade da cadeia. Atualmente, a empresa conta com o aporte de uma empresa norte-americana, já possui 8 entidades gestoras e inicia 2022 com aproximadamente 350 mil toneladas de embalagens pós consumo em seu portfólio.

O desafio da integração de dados – Os sistemas de logística reversa de embalagens em geral são planejados, implementados, estruturados, operacionalizados e coordenados por entidades setoriais e gestoras, certificadoras e consultorias ambientais. Essas organizações atuam em nome de fabricantes e importadores de produtos que são embalados para a comercialização, a exemplo dos setores de alimentos, bebidas, cosméticos, perfumaria, produtos de limpeza, entre outros. Todos devem atender às metas estabelecidas de recuperação e aproveitamento de materiais por meio da reciclagem, mas ainda há o desafio de integrar, cruzar e consolidar em uma plataforma única os resultados alcançados pelos diferentes sistemas, para que se evitem a utilização de valores duplicados e para que tenhamos uma informação mais segura e confiável para todos os integrantes dos fluxos da reciclagem e também para órgãos ambientais de fiscalização.

Atualmente, não há um estudo consolidado quanto aos investimentos de logística reversa de embalagens em geral no País, especialmente sobre os diferentes setores econômicos sujeitos a esse sistema. No entanto, alguns números permitem fazer projeções. “De acordo com levantamento que fizemos, os Sistemas de Logística Reversa no Brasil recuperam anualmente cerca de 800 mil toneladas e cobram dos fabricantes e importadores de produtos embalados um preço médio de R$ 130,00 por tonelada. Grosso modo, isso resultaria em um investimento estimado de aproximadamente R$ 105 milhões em logística reversa de embalagens em geral. Esse investimento, quando bem aplicado, pode resultar em uma economia de proporções ainda desconhecidas, por evitar o custo da disposição desses materiais em aterros sanitários e lixões, o custo da utilização de matérias primas virgens para produção de novas embalagens e, principalmente, nos dias atuais, o custo com a redução da emissão de gases de efeito estufa para atmosfera”, afirma Fernando Bernardes, Diretor de Operações da Central de Custódia.

Operação no Brasil – A empresa tem sua atuação baseada na verificação das notas fiscais de venda para a reciclagem dos resíduos de embalagens pós consumo. Como o objetivo é garantir segurança, transparência e efetividade às operações, o modelo de negócio é privado para estar em conformidade com as regras de compliance das grandes corporações. No entanto, a gestão é feita em conjunto e de modo colaborativo por meio de um Conselho Consultivo, composto por representantes das Entidades Gestoras. Esse modelo reúne verificação independente e um centro de informações. “A verificação independente e unicidade de dados é essencial para qualquer sistema de ‘responsabilidade do produtor’ (fabricantes e importadores). A adoção de um verificador que assegura a não colidência e não duplicidade do montante reciclado é a única forma de permitir que os dados mostrem a realidade. É o que queremos fazer, tornando a Central de Custódia relevante por ser independente das Entidades Gestoras e apoiar-se nos sistemas de processamento e proteção de informações mais avançados, para garantir a rastreabilidade e assertividade do fluxo da logística reversa de ponta a ponta”, explica o executivo.

O Conselho Consultivo, formado pelas Entidades Gestoras, será responsável por discutir as questões técnicas para organizar mais efetivamente a cadeia de logística reversa de embalagens, evitando as colidências de Notas Fiscais e a possível duplicação de contagem de resultados. Isso ocorre por haver no Brasil diferentes modelos para o setor. Assim, caberá à Central de Custódia registrar, armazenar, sistematizar e preservar a unicidade dos dados para que as quantidades de recicláveis (também chamadas de massa) estejam corretamente identificadas e de acordo com os dados de suas notas fiscais.

Agenda ESG – Com a organização e rastreabilidade dos dados e do setor de logística reversa de embalagens, a empresa acredita que outras partes, além de seus parceiros, podem ser beneficiadas. É o caso de instâncias de Governo, já que uma maior formalização da cadeia de reciclagem com o uso de Notas Fiscais verificadas de forma independente poderia incrementar a arrecadação de tributos que não são recolhidos hoje. A Central de Custódia também pretende contribuir para o avanço da agenda de ESG no Brasil. “Nossa atuação permeia as três variáveis do ESG, pois o fortalecimento da cadeia da reciclagem, com rastreabilidade dos materiais recicláveis, favorece a preservação ambiental. Além disso, o incremento dos resultados gerados pelas cooperativas e associações de catadoras e catadores de materiais recicláveis e consequente remuneração dessas entidades permite melhores ganhos e condições de vida para esses trabalhadores. Por último, mas não menos importante, a gestão transparente, coletiva e construtiva dos bons programas de logística reversa de embalagens contribui para a governança do setor”, conclui Bernardes.

Fonte: Press a Porter