31 de janeiro de 2019

No dia 25 de outubro, a SIAL Paris encerrou mais uma edição em seus 54 anos. O evento bienal tornou-se um ponto de encontro inspirador para toda a indústria de alimentos, compartilhando as soluções de hoje e de amanhã para enfrentar os desafios alimentares para os próximos 30 anos.

Em seus 250 mil m2, 7200 expositores de 119 países, apresentaram seus produtos e embalagens para mais de 160 mil visitantes de todo o mundo. O tema – Look Deeper (pensar profundamente) tem o compromisso de ajudar as empresas a entender o mercado e as tendências para desenvolver e sustentar sua competitividade no setor de alimentos, que é um dos mais dinâmicos, e compostos por indústrias, em sua maioria, dos países do G20 (grupo das vinte maiores nações).

Durante os cinco dias do evento, fóruns, mesas redondas e entrevistas fomentaram os números para o setor. Conferências

diárias apresentaram o relatório do exclusivo estudo global FOOD 360, realizado pela Kantar em associação com a eferência

em inovação e tendências XTC e complementada pelas tendências em alimentação fora de casa feitas pela GIRA .

 

Tendências confirmadas durante a SIAL 2018

Ao visitar a SIAL Paris 2018, confirmamos o que temos

defendido desde 2009: as cinco grandes tendências de consumo:

  • conveniência
  • estilo (diferenciação)
  • segurança (tecnologia)
  • preocupação com a saúde
  • questão ética

 

Para atender a tendência de conveniência, a indústria de produtos de consumo tem investido no desenvolvimento de pratos e bebidas prontas, com embalagens que podem ser refechadas e ir direto ao forno ou micro-ondas. Dentro deste movimento, também cresceu o mercado de produtos pré-preparados, com embalagens já no corte certo, bem como kits com ingredientes para o preparo de uma refeição.

O envelhecimento da população, fenômeno mundial, vai impor às empresas produtos com novos ingredientes e embalagens com acessórios ou aspectos ergonômicos para atender às novas necessidades. A demanda por segurança está promovendo o desenvolvimento de embalagens com lacres que garantem a inviolabilidade; não podem ser abertas por crianças; não têm risco de contaminação; contêm informações sobre data de validade; permitem rastreabilidade ou conexão com a internet para mais informações.

A população está mais preocupada com a saúde (própria e dos seus). Assim, a rotulagem dos produtos deve trazer informações nutricionais e alertas sobre ingredientes alérgicos bastante claros, bem como barreiras que garantem a preservação dos nutrientes são relevantes. A transparência pode ser coadjuvante e apoiar a decisão, já que mostra o produto e tranquiliza os consumidores.

Notamos, a busca pelo consumo de produtos saudáveis, mas que, ao mesmo tempo, são indulgentes. É notável o crescimento de novos grupos de consumo, como os veganos, que clamam por produtos em embalagens com informações claras. Em vários países, avançam as legislações que obrigam as empresas a declarar, de forma muito clara e simples, por exemplo, os níveis de sódio, açúcar e gordura do produto.

Os produtos orgânicos sempre tiveram a preferência da maioria da população. Com a promessa de origem certificada, às vezes, os orgânicos não encontram adesão em função dos preços praticados. Os preços altos, em função da escala, não permitem o crescimento do setor. À medida que a população preocupada com a saúde, investe e compra, a equação se alterou, e os produtos orgânicos tornaram-se mais acessíveis.

O crescimento dos produtos orgânicos, na Alemanha, e nos países nórdicos (Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia) chega a impressionar. Estilo, beleza e adequação aos diferentes grupos de consumidores podem desequilibrar a competição. Há novos grupos de consumidores e as empresas são desafiadas cada vez mais a atender a todos. Então, a diversidade de produtos é inevitável.

A francesa Cloudem lançou um espumante, com pó de ouro em suspensão, para atender principalmente aos consumidores dos países do Leste Europeu, que adoram tudo que faz referência ao ouro. O “vintage” também está de volta e em alta. A cor cru ou natural ou kraft tem corroborado para este apelo “retrô”, assim como as fontes usadas. Mesmo as embalagens

plásticas flexíveis incorporaram o efeito matte ou o “paper look” (aspecto de papel). Tons de verde, assim como o branco e o preto são utilizados para posicionar o produto como natural, puro ou sofisticado, respectivamente. Produtos de culturas ancestrais e menos conhecidas como da África, Ásia, Oriente Médio e América Latina também ganharam destaque.

A última tendência importante, ética, vem evoluindo da mesma forma que o tema.

Antes entendida, muitas vezes, apenas como sustentabilidade ambiental, atualmente é mais completa. Agora, considera também os desdobramentos sociais, econômicos e, até políticos, na medida em que tudo impacta na vida das pessoas. Embalagens que têm impacto ambiental menor valorizam o comércio justo (fair trade) e declaram de forma honesta a que vieram, além de apresentar rotulagem ambiental correta e instruções claras para o descarte.

 

10% das inovações mundiais

 

Ao andar pelos 10 pavilhões, divididos por setor ou regiões, o visitante faz uma volta ao mundo dos sabores e das culturas, que são traduzidos em diferentes formas de consumo e embalagens. A indústria brasileira de alimentos estava presente na

feira com seus sabores: carnes, pão de queijo, pamonha, bebidas e produtos com ingredientes como açaí e outras frutas.

A inovação alimentar é destaque na SIAL desde a sua criação e, a cada edição, apresenta, em média, quase 10% das inovações mundiais. Em 2018, a organização foi além: apresentou uma análise da história para criar e entender o alimento do futuro. Com esse olhar, o Future LAB – onde sonhos e realidade convergiam apresentou estudos e testes conduzidos por pesquisadores e levantou temas como: quais são as proteínas alternativas que se firmarão para alimentar a população

de 8,6 bilhões, em 2030, e como a inteligência artificial revolucionará nossas práticas alimentares. A realidade virtual teve foco no SIALVRLab, onde as apresentações mostraram caminhos e reforçaram como essa tecnologia revolucionará nossa dieta diária, seja qual for o local.

Um olhar para a inovação, antes dela, ou seja, quando as ideias ainda estão na sua fase de gestação. 40 empresas startups selecionadas em parceria com a rede universitária europeia compartilharam experiências com empresários, potenciais clientes e a mídia. Além de apresentar seus projetos na área de equipamentos, processos e logística, serviços, alimentos, bebidas e ingredientes. Também apresentaram produtos veganos, legumes e proteínas. Entre os produtos, os visitantes puderam experimentar grilos desidratados e insetos alimentados com produtos orgânicos proposto pela startup francesa Lhou.

Canudos biodegradáveis aromatizados como opção ao plástico e recheados de mel e frutas para crianças com o lema: “one medenka per day put the doctor away” (uma fruta da empresa Melenka por dia, mantém o medico longe) são a novidade da startup eslovena MEDENKA.

 

SIAL Innovation Awards

 

Nesta edição, a SIAL Innovation Awards, maior premiação da feira, premiou 15 projetos por categoria. A premiação recebeu2355 inscritos de mais de 1193 empresas. Os ganhadores inovaram no uso de ingredientes inusitados em seus produtos. Entre eles estão a farinha de sementes de azeitona, rica em fibras, proteínas e Omega 3, da espanhola ELAYO (categoria In-Food Intermediate); o alho negro 100% natural produzido no Norte da França pela COMIT É DE PROMOTIO N NPDC (categoria Foodservice); a geleia coreana de kimchi e pasta de soja da coreana MIWAMI LTD . (categoria Sweet); o gim italiano feito à base de azeitonas, da empresa Italiana OLIO ROI (categoria Alcoholic Drinks); e o shot funcional SO NAT URA L, de Portugal, da empresa GL AS, com sabores de gengibre, açafrão e pimenta (categoria Non-Alcoholic Drinks).

A natureza ética e responsável da indústria deu destaque ao produto da francesa LOEUL ET PIRIOT – corte de coelhos alimentados sem OGMs (transgênicos) em fazendas responsáveis (categoria Meat).

A marca PEDON, mais uma vez, conquistou a premiação com a sua linha MORE THAN RICE, dessa vez, com um produto vegano, que mimetiza o formato de grãos de arroz – disponível em três variedades – nos sabores lentilhas, grão de bico e ervilhas; Oferece alta concentração de proteína e a conveniência de ficar pronto em9 minutos (categoria Savoury).

Mo Bufala, da Itália, produzida com leite de búfala, conquistou a premiação na categoria Dairy. O molho aioli com alho negro, sem glúten e corantes, da marca Chovi, é produzido pela francesa COMPTOIR FRA NCE-ESPAGNE (categoria Delicatessen).

A marca espanhola El Capricho ganhou a premiação na categoria Seafood com o seu filete de esturjão em azeite de oliva. O produto é apresentado em embalagem flexível livre de BPA.

A categoria de equipamentos, com o SUPER DA LI, da francesa STERIFLOW SAS, conquistou o prêmio, com um dispositivo, no qual a carga fechada na autoclave é agitada aproximadamente 45 vezes por minuto. Além disso, este dispositivo mistura produtos embalados líquidos e semiviscosos, com progresso para a esterilização, evitando o excesso de cozimento.

 

Ouro, prata e bronze

 

O ouro foi para a categoria Alimento Alternativo e ficou com a empresa grega PAPADOPOULUS IORDA NIS/NAMASTE, que desenvolveu uma água de kefir vegana, com frutas em dois sabores, gengibre e menta, a KEFIR NAMASTE.

A italiana INDUSTRIE ROLLI ALIMENTARI SPA conquistou a prata na categoria comida congelada. Ganhou o prêmio pela

sustentabilidade da produção técnicas agrícolas com baixo impacto ambiental e livre de pesticidas e pela embalagem de papel biodegradável dos legumes congelados. O lançamento está previsto para janeiro de 2019.

O bronze foi para a BETT ERS INTER NATIO NAL SARL, dos Estados Unidos, com o stick (palito) de frutas liofilizadas (melancia, manga, abacaxi amazônico e banana) para crianças, sem adição de açúcar. Premiado pela conveniência e lançado em setembro de 2018.

Já o Sial Innovation Selection reuniu mais de 400 produtos inovadores. O Brasil foi representado pela Seara, que apresentou

o produto Seara 100% Natural, cortes de aves com certificação Halal, desenvolvido exclusivamente para o Oriente Médio. As aves são criadas em granjas livres de antibióticos, alimentadas com ração vegetal, e que possuem certificado de bem-estar animal. Outro produto brasileiro selecionado foi o Natchup, da Cearence Frutã. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), através da fundação AStef, o molho junta o nome Ketchup com “natural”. O produto foi selecionado pela sua variação de sentidos, pois é feito com acerola, abóbora e beterraba e rico em vitaminas, fibras e antioxidantes.

 

Alimentos alternativos

 

Nos últimos 60 anos, a expectativa de vida de homens e mulheres aumentou em média 14 anos e até 2050, a população erá de 100 milhões de pessoas. Um grande desafio para o setor. A responsabilidade da indústria de alimentos é cada vez maior: como entregar “comida verdadeira”, uma comida mais autêntica, natural, mais saudável e segura? Como comer para envelhecer bem? A necessidade de transparência, compromisso com o planeta e bem-estar animal nunca foram tão discutidos. Nessa edição, o novo setor do evento – Alimentos Alternativos reuniu expositores, renomados especialistas em alimentação saudável e estrelas da inovação nesse campo de diferentes países. Superalimentos, orgânicos, “free-from”, rótulo limpo, desenvolvimento sustentável e bem-estar animal foram temas do Alternative Food Forum, que teve um espaço próprio. Além disso, contou com visitas guiadas ao setor com duas perspectivas: ingredientes alternativos e saúde, conduzidas por especialistas(da NutriMkt e Atlantic Sante, respectivamente).

Profissionais de varejo e foodservice trocaram informações com fabricantes e destacaram oportunidades no setor por meio de mesas redondas e conferências.

“A verdadeira comida é uma tendência real agora. E parece ser inevitável”, afirma Nicolas Trentesaux, diretor da feira. Durante os cinco dias, a La Cuisine ofereceu um verdadeiro coquetel de espetáculos culinários, em particular, com as aulas de culinária ao vivo e uma trilha temática de inovação dedicada ao serviço de alimentação e idealizada pelo patrono da SIAL 2018, o chefe de cozinha: Yannick Alléno! O número de inovações baseadas em substitutos de carne excede o número de inovações baseadas em carne. Alimentos conhecidos da antiguidade, mais uma vez, ganharam o foco por suas propriedades naturais e de saúde. Kombucha, kefir e kimchi são exemplos.

Preocupação com planeta, resíduos e desperdício, a SIAL Paris não poderia ficar de fora. A organização da feira realizou coleta seletiva, área para doações de alimentos, reciclagem dos resíduos para conversão em energia. Pelo conjunto da feira, que contemplou todos os aspectos da nova e da futura indústria mundial de alimentação, a SIAL segue sendo a plataforma mais importante para quem quer entender as tendências, as inovações e as novidades do setor e assim contribuir para a produção de alimentos melhores com embalagens melhores e um mundo melhor!